Foto / Pixabay

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

– Minha mãezinha querida, mãezinha do coração. Para este ano prometo muita malcriação… Reprimiu de imediato minha mãe: – Pare menina, o que é isso? A letra é “Te adorarei toda vida, com grande devoção…” Não cante mais! (minha mãe não era muito chegada a impertinências).

Era a irmãzinha quietinha, lá na Pauliceia de 1956, no Bairro de Pinheiros, a mesma que comeu escondida todos os ovos de Páscoa e cantava na procissão: – Desconfio de Nosso Senhor…”. Já contei isso em crônica inédita em livro. Criança lá com seus quatro aninhos. Tia Filoca resmungou na ocasião: – É preciso dar uma boa correção nessa menina, ela está indo na onda dos irmãos, muito topetudos. Coça nela!

Ora, acredito que foi apenas inocente. Melhor, refletia o que via nos irmãos mais velhos. E nisto a tia tinha razão. Um pequeno despeito aqui, outro acolá. Não imaginam sequer os jovens de hoje o que fossem esses ingênuos desacatos, nada próximo da insolência explícita de agora!

Tudo –ou quase tudo– já se falou sobre mães, não vou inovar, nem apresentar nadinha de novo. Nem muito menos de cunho emocional, até em homenagem a minha saudosa mãe, que não gostava nada nada de derramamentos emocionais, bem ao gosto da família do marido. “Mãe é mãe, pai é pai, filho é filho”, como diria uma famosa política brasileira, não digo o nome nem sob tortura.

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Humor à parte, o que gostaria de dizer é que ser mãe não se compara a nada, nem a pai, é uma relação única entre a mulher e seu filho ou filha, seja fruto da biologia, seja da maternidade socioafetiva. Não pode este varão aqui expressar, de maneira plena e apropriada, aquilo que nunca experimentou. Mas a vida lhe ensinou as diferenças, tornando a missão materna única, especial e até sagrada.

Já na minha adotiva São José dos Campos caí na besteira de relembrar esses antigos acontecidos da minha São Paulo natal a ninguém menos que a velha Tia Filoca e ela não se fez de rogada:

– Taí, Zezinho, você no ano passado elogiou as mães, a sua própria e as famosas desse seu São José e eu fiz ver que devia homenagear, a bem de verdade, todas as mães da cidade, anônimas, sofridas, desamparadas, batalhadoras, incompreendidas, feridas ou mortas por homens violentos. Você concordou, não?

Respondi, já irritado: – Sim, titia, elas terão sempre meu respeito e exaltação. Mas o que está pegando agora?

– Ora, ora, seu estafermo! Não está vendo o que ocorre com as mães da Ucrânia, do Irã, da África, dos países árabes, sobretudo do Líbano e da Palestina, mesmo de Israel?  Essas mamães, que nada têm a ver com essas guerras sujas e insanas, morrem todos os dias com seus filhinhos e familiares. É a ausência de Deus, filho! Merecem a sua lembrança! Eu gostaria muito de bater com uma vara de pau no cocuruto desses líderes de meia tigela!

– De pau, não tia. Aí prefiro só a varinha de marmelo que a mamãe mandava a gente mesmo pegar no mato. Acredita?

Fourniol Rebello. Foto / SuperBairro

José Roberto Fourniol Rebello é formado em direito. Atuou como juiz em comarcas cíveis e criminais em várias comarcas do estado de São Paulo. Nascido em São Paulo, vive em São José dos Campos desde 1964, atualmente no Jardim Esplanada. Participou do movimento cultural nascido no município na década de 60.

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