Foto / Reprodução

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Caetano Veloso

 

Quando eu me encontrava preso

Na cela de uma cadeia

Foi que eu vi pela primeira vez

As tais fotografias

Em que apareces inteira

Porém lá não estavas nua

E sim, coberta de nuvens

 

Terra, terra!

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Ninguém supõe a morena

Dentro da estrela azulada

Na vertigem do cinema

Mando um abraço pra ti

Pequenina

Como se eu fosse o saudoso poeta

E fosses à Paraíba

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Eu estou apaixonado

Por uma menina, terra

Signo de elemento terra

Do mar se diz: Terra à vista

Terra para o pé, firmeza

Terra para a mão, carícia

Outros astros lhe são guia

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Eu sou um leão de fogo

Sem ti me consumiria

A mim mesmo eternamente

E de nada valeria

Acontecer de eu ser gente

E gente é outra alegria

Diferente das estrelas

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

De onde nem tempo, nem espaço

Que a força mande coragem

Pra gente te dar carinho

Durante toda a viagem

Que realizas no nada

Através do qual carregas

O nome da tua carne

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Nas sacadas dos sobrados

Da velha São Salvador

Há lembranças de donzelas

Do tempo do Imperador

Tudo, tudo na Bahia

Faz a gente querer bem

A Bahia tem um jeito

 

Terra, terra

Por mais distante

O errante navegante

Quem jamais te esqueceria?

 

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Caetano Veloso) nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA) em 7 de agosto de 1942. É músico, produtor, arranjador, cineasta e escritor. É um dos fundadores do movimento Tropicalista, que mudou o eixo da música brasileira.

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> Júlio Ottoboni é jornalista (MTb nº 22.118) desde 1985. Tem pós-graduação em jornalismo científico e atuou nos principais jornais e revistas do eixo São Paulo, Rio e Paraná. Nascido em São José dos Campos, estuda a obra e vida do poeta Cassiano Ricardo. É autor do livro “A Flauta Que Me Roubaram” e tem seus textos publicados em mais de uma dezena de livros, inclusive coletâneas internacionais.

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