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Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Com a saída do juiz Alberto Gentil Pedroso para São Paulo, ainda em 1977, veio para São José dos Campos o magistrado Benedicto Carlos de Camargo, indo para a 3ª Vara. Na 2ª, cumulativa, ficou Sílvio Marques Neto, na 1ª continuou Febeliano Costa, na 4ª Hermenegildo Rêgo.

Benedicto Carlos, que seguiu carreira posteriormente, tornando-se desembargador, era pessoa simpática, conversava com todos de igual para igual, mas tinha seus rompantes, não escondia seus sentimentos de ninguém. Surpreso fiquei, certa feita em que fui despachar com ele, como procurador municipal, e ele não parecia ouvir minha justificativa. Mostrou-me um recorte de jornal e falou:

– O senhor está vendo, doutor? Olhe aqui a notícia de quanto ganha um garimpeiro por mês! Um absurdo, umas vinte vezes o que ganho como juiz! Assim não dá! (ficou exaltado). E o senhor me vem com esse trololó? (era época da Serra Pelada, entendi o mau momento e raspei-me rapidamente).  No entanto, devo dizer que tive bom relacionamento com o alegre e bonachão magistrado, que também foi professor entusiasmado na Faculdade de Direito.

No ano seguinte, de 1978, houve importantes mudanças no Fórum. Chegou à comarca o juiz Álvaro Torres Júnior, como substituto, desde logo mostrando a sua grande competência, praticidade e inteligência, que impressionavam. Voltou depois de poucos anos, como juiz auxiliar de 2ª entrância, finalmente se tornando titular da 2ª Vara Cível, com a saída de Sílvio Marques. Faz história na magistratura.

Outros juízes substitutos e auxiliares, como Carlos Assumpção Neves Filho, Antônio Luiz Barbosa Pereira, Orlando Pistoresi, Gilson Carvalho, Alberto Gentil de Almeida Pedroso Neto, Mauro Bastos Valbão, José Ernesto de Barros Freire, Luiz Eurico Ferrari, Sérgio Coimbra Schimidt, Junior Cláudio de Campos Furtado, Nélson Pinto Ferreira, deixaram saudades. Destaque para o excepcional Dirceu dos Santos, juiz auxiliar, um dos melhores que já vi atuar, culto, conciso e trabalhador, também contava causos lá da sua São Luiz do Paraitinga.

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Por volta de 1978 foi criada uma Vara Criminal, vindo para ela o juiz Adauto Faria da Silva. As outras varas passaram a ser varas cíveis. Ficou por muito pouco tempo, no lugar veio, em 1979, Manoel de Lima Júnior, que foi marcante na comarca, mercê de sua eficiência e sobretudo humanidade, chamado pelos colegas de “São Manoel”. Quando se aposentou, foi vereador de São José dos Campos, tendo expressiva votação. Dedicou-se, ao se aposentar, à Igreja Católica, falecendo recentemente.

Eram tempos duros, no entanto românticos, quando não se tornavam curiosos e mesmo histriônicos. Era o caso dos policiais militares destacados para o Fórum. Os comandantes da Polícia Militar não primavam por uma boa escolha do soldado para trabalhar no gabinete do juiz diretor, aproveitavam para livrar o serviço policial dos alcoólatras, indisciplinados e muito alegres.

Caso de Haroldo (nome fictício), alto, bem apessoado, educado, maneiroso. Só não gostava de vestir a farda, permanente querela com o juiz diretor. Até que um dia um preso perigoso que ia ser interrogado tentou fugir descendo as escadas do saguão do Fórum correndo. Chamem o PM!  Lá foi o nosso Haroldo, sem farda, em velocidade supersônica, desceu a escadaria de três em três, já no saguão deu um verdadeiro carrinho em direção ao preso e os dois foram se estatelar na grande porta de ferro e vidro da frente do prédio, cacos para todos os lados.

Abraçado firmemente ao criminoso, a quem aplicava vigoroso mata-leão, assim ficou por cinco minutos até o severo juiz diretor chegar e lhe ordenar:

̶ Pode largar o preso agora, Haroldo!

Uns segundos e nada.

O diretor, já gritando:

– Desgruda do homem, Haroldo!

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José Roberto Fourniol Rebello é formado em direito. Atuou como juiz em comarcas cíveis e criminais em várias comarcas do estado de São Paulo. Nascido em São Paulo, vive em São José dos Campos desde 1964, atualmente no Jardim Esplanada. Participou do movimento cultural nascido no município na década de 60.

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