Foto / Site CMSJC

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

– Quero saber quem colocou um cachorro morto na caixa d´água do Fórum? –esbravejou o juiz-diretor na Rua Paulo Setúbal sem número, esquina com Avenida José Longo, em São José dos Campos. Isso mesmo, segundo se conta, um antigo zelador teria feito o terrorismo, revoltado porque se achava no direito de morar nas dependências do Fórum, como fazia com a família num “puxadinho” no prédio antigo da Praça Afonso Pena.

O fato era que o Fórum da Justiça comum da Avenida Francisco Longo –abriga atualmente o Procon do eficiente diretor Georges Assaad, os cartórios eleitorais e o Cejusc– tinha dois apartamentos destinados a juízes substitutos. Quem estava ocupando era um juiz titular, Hermenegildo de Souza Rego, porque não tinha ainda onde residir. O funcionário simples e simplista acreditava que devia ser ele a residir no local.

Escândalo à parte, que terminou em nada por falta de provas, recordo que esse novo Fórum –que funcionou ali até 2012– tinha então os seguintes juízes titulares: Alberto Gentil de Almeida Pedroso Filho, Fernando Febeliano da Costa Filho, Sílvio Marques Neto e o citado Hermenegildo de Souza Rego.

Alberto Gentil foi grande magistrado, respeitadíssimo em todo o estado de São Paulo, mercê de sua cultura e inovação, tanto como juiz como professor na Faculdade de Direito de São José (atual Univap) e de Taubaté. Febeliano foi, além de bom professor, um juiz caprichoso e com pleno domínio do Direito, fez fama na magistratura. Sílvio Marques Neto, mestre também, com rara persistência e trabalho criou a famosa Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados). Hermenegildo Rego, docente e juiz de notável e equilibrada imparcialidade, culto e organizado, foi modelo a ser seguido por novos magistrados.

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Febeliano teve o filho Heitor Febeliano dos Santos Costa, eficiente juiz em São José, hoje na Capital. Alberto Gentil teve sucessores brilhantes, tanto o filho, professor e desembargador Alberto Gentil Neto, como o neto, magistrado com o nome do avô. Finalmente, merece menção o anterior juiz Geraldo Carlos de Almeida Camargo, como os demais, excepcional professor, muito severo, como foi na sua judicatura, no entanto incentivador, como Alberto Gentil, de novos magistrados. Pai do desembargador Theodureto de Almeida Camargo Neto, que foi juiz desta comarca, com bastante destaque.

Não muitos anos depois Alberto Gentil foi para São Paulo, onde se aposentou, falecendo após pouco tempo. Assim se deu com Geraldo Camargo, terminando desembargador. Sílvio Marques seguiu o mesmo caminho e chegou a desembargador, até sua aposentadoria por idade. Continuou a trabalhar pela Apac e em serviço gratuito de conciliação. Hermenegildo Rego foi para a Capital e é desembargador aposentado.

Acredito que São José dos Campos, em 1974, estava num dos seus melhores momentos da magistratura comum. Havia já uma Junta Trabalhista, com um juiz togado presidindo. Lembro-me da simpática Nilce Vieira de Oliveira, professora também na Faculdade de Direito de São José, bem como de outro juiz do trabalho e professor estimadíssimo, Jorge de Oliveira Coutinho, hoje nome de rua no Jardim Aquarius.

Desses juízes, foram meus professores Alberto Gentil, Geraldo Carlos, Fernando Febeliano, Nilce e Jorge Coutinho, deles reforçando em mim a vocação para a magistratura, acreditando ter sido bom aluno. Aí a tia Filoca interveio, pois estava sorrateiramente olhando minha digitação por cima de meus ombros:

– Pode parar Zezinho, peguei você no vitupério, elogio em boca própria! Virei-me e, já resignado, respondi:

– Mas tia, é só um rascunho, no final eu limpo o texto de referências pessoais e inadequações! –Não convenceu a implacável fiscal:

– Não, não, isso é narcisismo. Tira isso de bom aluno, senão lá vai chinelada!

– Não tiro, tia, só de birra!

Fourniol Rebello. Foto / SuperBairro

José Roberto Fourniol Rebello é formado em direito. Atuou como juiz em comarcas cíveis e criminais em várias comarcas do estado de São Paulo. Nascido em São Paulo, vive em São José dos Campos desde 1964, atualmente no Jardim Esplanada. Participou do movimento cultural nascido no município na década de 60.

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