Acordo cria a maior área de livre comércio do mundo. Ilustração / UE-Mercosul/Divulgação

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Reunindo 720 milhões de pessoas, o acordo assinado no último dia 17 estabelece a maior zona de livre comércio do mundo; veja os principais itens do acordo e prazos previstos para sua implementação

 

DA REDAÇÃO

Após 26 anos de negociação, representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia (UE) assinaram no último dia 17 um acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul).

Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a UE, o tratado foi assinado em Assunção, no Paraguai, país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.

Protocolar, a assinatura do acordo comercial formaliza o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando as partes começaram a negociar seus termos. O texto estabelece a gradual eliminação de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais (máquinas, ferramentas, automóveis e outros produtos e equipamentos) e produtos agrícolas.

Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. De qualquer forma, a expectativa é de que o tratado seja implementado gradualmente e que seus efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

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Principais pontos do acordo

Eliminação de tarifas alfandegárias

– Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços

– Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos

– União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos

Ganhos imediatos para a indústria

– Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais

– Setores beneficiados: máquinas e equipamentos; automóveis e autopeças; produtos químicos; aeronaves e equipamentos de transporte

Acesso ampliado ao mercado europeu

– Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;

– UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões

– Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas

Cotas para produtos agrícolas sensíveis

– Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação; acima dessas cotas, é cobrada tarifa

– Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições

– Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus

– Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil

– No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor

APOIO / SUPERBAIRRO

Salvaguardas agrícolas

UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

– Importações crescerem acima de limites definidos

– Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu

– Medida vale para cadeias consideradas sensíveis

Compromissos ambientais obrigatórios

– Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal

– Cláusulas ambientais são vinculantes

– Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris

Regras sanitárias continuam rigorosas

– UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários

– Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar

Comércio de serviços e investimentos

– Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros

– Avanços em setores como: serviços financeiros; telecomunicações; transporte; serviços empresariais

Compras públicas

– Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE

– Regras mais transparentes e previsíveis

APOIO / SUPERBAIRRO

Proteção à propriedade intelectual

– Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias

– Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais

Pequenas e médias empresas (PMEs)

– Capítulo específico para PMEs

– Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação

– Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores

Impacto para o Brasil

– Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria

– Maior integração a cadeias globais de valor

– Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo

Próximos passos

– Aprovação pelo Parlamento Europeu

– Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai

– Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites

– Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país

 

*Com informações da Agência Brasil.