Era uma rua de terra que saia do centro da cidade, da Rua Siqueira Campos, na década de 1940, na pequena São José dos Campos. Arruamento feito pelo comerciante Badue Cury, aproveitando um terreno grande que descia a encosta em direção à linha férrea. O nome: Vila Claudina, uma via com lotes de ambos os lados. A ladeira terminava no terreno pantanoso na hoje Avenida Sebastião Gualberto, depois drenado, onde se instalaria o bairro Bela Vista.
Nesta modesta, mas movimentada rua, moraram pessoas ilustres e conhecidas, como a família Maldos, de um jovem Robertinho. Ele se tornou o capitão Roberto Ferreira Maldos, piloto notável do Correio Aéreo Nacional (da Força Aérea), considerado herói após o seu falecimento em 1950.
Teve muitos moradores bem conhecidos, a começar pela família Maldos, do Edmundo Maldos, o Zebu, inspetor de alunos. Do mesmo Instituto de Educação João Cursino morou muitos anos ali a professora Zélia, de biologia. A própria família do Badue Cury morava lá no seu início, assim como a de Fábio Tau, de festejada descendência, como Fabinho, Paulo, William e Michel.
Meus sogros, Dito Penha (Benedicto Marcondes dos Santos) e Dona Cida Leite Machado, já quase no último terço da ladeira, fizeram lá sua casa em 1949, cuidando de sua numerosa prole (Nega, Nego, Terezinha, Ítalo, Cidinha, Roberto, Marlene e Nanci). Vizinhos, o delegado Sidney e Cida, com os filhos Elisabeth, Sidney, Rita e Francisco. Depois, o engenheiro José Cláudio Januário e família.

Nessa rua morou a família do notável jogador de basquete da seleção brasileira, dentista e prefeito, Pedro Yves Simão, seus irmãos Paulo, Leila e José Arnaldo, filhos de José Simão e da professora Norma. Morou também o advogado e igualmente prefeito José Ferze Tau, bem assim a família do advogado João Friggi Neto, com longos anos na Prefeitura. De lembrar, ainda, Linda Santarém e seu marido.
Destaque ainda para a família Gama, de Valdomiro e Dona Cotinha, ele trabalhou uma vida na Light. Os Gamas constituíam uma família de destaque, bem comandada por pessoas amáveis, com as filhas todas lindas, Ivone, Irene, Irani, Lúcia, Cida. Como vizinhos, os mineiros Gerson, Haroldo, Zé Amir, Auxiliadora e Romilza. Ao lado, o garoto chamado pela garotada de Pedro Louco, alegria nas farras infantis.
Perto da Rua Siqueira Campos residiu o saudoso Dico, cirurgião-dentista e professor Alfredo Pereira Neto, irmão do prefeito José Marcondes Pereira. Na vizinhança tinha residência o português Ribeiro, do Santa Helena, ao lado Rui Ramos e sua irmã dona Ruth Ramos, além da Dona Dulce, mãe de outro Robertinho. Em seguida Cláudio, Nilza e Terezinha Vieira, filhos de José e Alice, cujo irmão foi o advogado José Ibraim.
No final da rua, lado esquerdo de quem desce, havia a serralheria do Fortuna, com a filha Zélia. Fechando a rua, a padaria do Seu Chico, ponto de encontro para uma boa cerveja de fim de tarde.

Outros moradores: o presidente da Câmara Jairo Pintus, sua esposa Vera, os filhos Marcelo e Juliano. O José Vitório de Faria, sociólogo, cujo pai era enfermeiro. Na mesma calçada moraram o Álvaro Costa, pai de Maria do Carmo, Fernando (Tachão de Ubatuba), Maurício, Cristina (Rubinho) e Elizabeth (Pedrosa). Havia a querida Dita e sua irmã Cesária, logo abaixo a Noca e a Toninha, costureira.
Também a família de Dona Mileta, mãe dos advogados Dedeu e Joãozinho, das professoras Joana e Bebel. Moraram ainda na Capitão Roberto o Seu Giannini e Dona Irene, pais da Assumpta e do Frederico, bem como o José e Maria Soares, pais de Elza. Ao que me lembro, igualmente o amigo Luís Antônio Peneluppi e o José Baruel.
Bom lembrar dessas localidades antigas, pois revelam um recorte do passado da cidade e do próprio país, mais simples e ingênuo, de amizades para toda vida. Nessa curta ladeira de terra a meninada se esbaldava nos dias de enxurrada, brincava descalça, ralava joelhos, levava topadas no dedão, não importava. Valia brincar, de taco, bolinha de gude, pião, bicicleta, carrinho de rolimã, queimada, pipa, pega-pega, balão, estilingue, futebol. Na festa de São João, uma farra, fogos, malhação do Judas, fogueiras.
Eram felizes e não sabiam.

> José Roberto Fourniol Rebello é formado em direito. Atuou como juiz em comarcas cíveis e criminais em várias comarcas do estado de São Paulo. Nascido em São Paulo, vive em São José dos Campos desde 1964, atualmente no Jardim Esplanada. Participou do movimento cultural nascido no município na década de 60.


Região da Bela Vista e de parte do Centro de SJC. Foto / Pinterest 
