Ilustração / Pixabay

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Estava eu posto em sossego, quando chega tia Filoca, muito excitada, sinal de perigo. Significava, com aquele olhar diabólico e sua expressão de zombaria, que estava doidinha para dizer alguma coisa. Mas ficou segurando, não dei corda, até que ela não se aguentou e soltou suas pérolas:

– Sabe, Zezinho, neste final de 2025, chegando as festas natalinas e o ano novo, além de toda agitação no comércio –adoro umas comprinhas– passei a ver na TV e fuçar na bendita internet, não é que encontrei todo tipo de previsões para 2026?

Uma diz que o Brasil e o mundo enfrentarão grande movimentação, decisões políticas terão impactos duradouros. Outra diz que haverá no ano novo grandes transformações, tem até quem diga que haverá fortes alterações climáticas. Encontrei – todo ano encontro – a previsão da morte de artista, de escândalo financeiro, de divórcio de famoso. Ah, os astros dizem ainda que alguém ficará rico ou terá a vida mudada nesse próximo e fatídico ano, dentre outros fatos raros.

Continuou a tia, agora arengando:

– Cansei dessas obviedades e muita enganação nessas previsões a cada final de ano de não-sei-quem sensitiva, mestre cicrano, bidu das estrelas, candidatos a brasucas Nostradamus. Fiquei pasma ao ver que tanta gente acredita nisso. Portanto, agora é minha vez, estafermos, de fazer previsões para o ano novo. Só que agora verdadeiras.  São as previsões da Tia Filoca, lá vão:

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1 – Um ator, diretor, ou escritor da Globo, ou político conhecido vai desta para melhor durante o ano de 2026. Quase todos fingem chorar.

2 – Uma artistinha (ou mais) metida a besta, mas que ninguém diz abertamente, também irá ao encontro do Criador, desfalcando o elenco televisivo.

3 – Enchentes e ventos terríveis assolarão o país, o governo não vai demorar em atender por ser ano de eleições, fará o menos e todo mundo reclama. Furacões aqui têm outro nome, gente.

4 – Idiotas, daqueles descritos por Umberto Ecco, continuarão a dar palpites furados na internet, imaginando que podem fazer isso, “é os meus dereito”.

5 – Escândalos menores que os atuais assombrosos, envolvendo autoridades de todos os escalões, se repetirão ao longo de 2026, com as mesmas e novas desculpas. A mídia se ocupará deles por um tempinho e depois esquece. Os escândalos? Acabam em pizza ou em vinho importado de milhares de dólares.

6 – Autoridades judiciárias, do executivo e do legislativo, de alto escalão, podem tudo, tem poder próprio, ética própria, Constituição e Direito próprios, comportamento isento de crítica, mesmo que possam ser criminosos. Um deles ao menos sofrerá um atentado. Espero e rezo para que isso não aconteça. Desaconselho até.

7 – Seguindo a tradição, criminosos podem ser deputados, senadores, ministros, altas autoridades, receber dinheiro de conselhos fiscais, ganhar mimos, inclusive de viagens, cursos no exterior, décimo quarto, sítio, casa ou apartamento funcional, fazer palestras fantasmas, divórcio simulado, e até chegar à presidência da república.

8 – O Tiririca vai ser eleito para a Academia Brasileira de Letras, derrotando os concorrentes, por estarem estes com tornozeleiras eletrônicas, embora fazendo música sertaneja ou funk de qualidade.

9 – Quem não votar na esquerda ou na direita será chamado de isentão (ou camisolão), ou seja, o nome de alguém de centro (não aceito pela esquerda). Em outras palavras, não adepto dessa briga insana, dessa polarização, dessa demagogia explícita, que teve origem num maldito populismo, praga de decênios lançada por Perón para toda a América Latina.

10 – No final de 2026. novos bidus, mestres, sensitivas, influencers, isto é, os Nostradamus brasileiros, farão novas previsões, óbvias ou genéricas!

Quem não concordar comigo tome seu rumo, tonto, apareça aqui que vai levar muita chinelada de uma tia já vivida.

Fourniol Rebello. Foto / SuperBairro

José Roberto Fourniol Rebello é formado em direito. Atuou como juiz em comarcas cíveis e criminais em várias comarcas do estado de São Paulo. Nascido em São Paulo, vive em São José dos Campos desde 1964, atualmente no Jardim Esplanada. Participou do movimento cultural nascido no município na década de 60.

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