Ao mesmo tempo que vão saindo de cena os foliões das escolas de samba e blocos do Carnaval 2026, vão retornando com força total os acusados de brincar com o dinheiro alheio, reunidos em um enorme bloco chamado Banco Master.
Mas desta vez, ao que parece, este samba atravessado que embala banqueiros fajutos, bancos malandros, empresários safados, políticos viciados na pilantragem, e que resvalam até em gente do primeiro time do Judiciário, está sendo enviado aos órgãos de investigação e escancarado nas manchetes da mídia.
A cada dia alguém ou alguma instituição tem o nome juntado a este grande golpe, que obedece a um enredo já conhecido neste “país do carnaval”, mas que desta vez provoca ainda mais escárnio porque não se limita a três ou quatro pilantras, pelo contrário, reúne mais e mais suspeitos, formando diversas alas de “sambistas” do colarinho branco.
Até agora, uma instituição, só uma, está merecendo nota 10 neste desfile do horror: a velha Polícia Federal. Isto mesmo. A instituição tem realizado um trabalho irrepreensível no caso do Banco Master, enfrentando gente, empresas e poderes de peso. Até o Supremo Tribunal Federal (STF), que se julga inatingível e acha que é a última bolacha do pacote, tem um de seus ministros, o desenvolto Dias Toffoli, resvalando nos relatórios da Federal.
Se não vier nenhum poderoso querendo cortar as asas dos federais neste caso, tudo indica que o pobre brasileiro terá acesso a um dos mais encorpados escândalos da história do sistema financeiro do país. Por enquanto, a bem da verdade, o Governo Federal tem mantido apoio às investigações.

É importante lembrar que a Polícia Federal do Brasil, apesar de estar ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, não é atrelada ao governo do momento, ela é um órgão permanente de Estado, empenhada na manutenção da ordem pública e do Estado Democrático de Direito. Sua atuação é técnica e pautada na lei. Portanto, pode –e deve– investigar crimes contra a União, incluindo os Três Poderes e seus ocupantes.
Dá para sentir que a Federal tem tido o apoio do Ministério da Economia, com Fernando Haddad, do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo e, acredita-se, do presidente Lula. Como disse uma vez o nosso ex-presidente Temer, só que para um outro caso, “é preciso manter isso”.
Neste momento, passada a crise do 8 de Janeiro com a tentativa de golpe de Estado, quando o STF cumpriu função decisiva, penso que é possível afirmar que a PF tem sido a instituição mais importante na busca de soluções para a crise político-institucional brasileira.
A expectativa que fica é que, já que o prejuízo monstruoso causado pela crise do Master será difícil de ser evitado, que pelo menos os culpados paguem por seus crimes. Não vai ser fácil, porque a quadrilha envolve gente graúda, mas não custa acreditar.
Voltando à nossa Polícia Federal, poucos conhecem a extensão das suas atribuições nas mais variadas áreas. Por isso, sugiro que você clique [aqui] e tenha uma ideia do seu gigantismo e importância para o país.
Da minha parte, vou ficar por aqui, acompanhando as investigações e os relatórios sobre esta “master safadeza” que aprontaram contra o Brasil. E como se estivesse puxando o samba da minha escola preferida, fico com vontade de gritar bem alto na avenida:
– Olha a Polícia Federal aí, geeente!

> Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 50 anos. É editor do SuperBairro. Mora na Vila Guaianazes há 24 anos.



Foto / PF/Divulgação 
