Foto / Maria D'Arc Hoyer

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Eu sempre gostei de chá, especialmente dos que são feitos com as ervas plantadas no quintal, pois assim que os conheci desde criancinha. Minha avó entendia bastante do assunto e se tem algo de que me arrependo é não ter aproveitado mais esse conhecimento.

Nem tudo se perdeu, é verdade. Minha mãe cultiva algumas ervas e mantém o hábito de oferecer um chá como mezinha para cura de tudo que possa incomodar; de topada a coração partido. E quem pode afirmar que não funciona?

Com o passar dos anos na janela da minha vida, fui me apegando a esses hábitos também. Não posso mais imaginar uma casa pra chamar de minha que não tenha, em algum cantinho ensolarado, um vaso com capim-santo e erva-cidreira.

Elas crescem rápido, não exigem muitos cuidados e são generosas no fornecimento das folhas que transformo em chás, nas mais diversas horas do dia. Seguindo as prescrições aprendidas com mamãe, sempre.

Se dou uma topada no pé-da-mesa ou, em um momento de desafeto qualquer,  preparo um chá de cidreira para recuperar a calma e não apelar ao meu vocabulário de palavrões lapidados com a vivência nas redações.

Quando o dia de trabalho ameaça me levar à loucura, faço uma pausa por volta das cinco da tarde e me permito uns 15 minutos de realeza britânica, com uma boa xícara de chá de capim-santo (talvez você o chame de capim-limão) respirando profundamente.

Há pouco tempo, uma amiga me deu a dica de experimentar também chá de alecrim. É tudo de bom pra relaxar.

Em geral não coloco açúcar; quando muito, uma colherinha de cristal ou demerara. De vez em quando, acrescento umas gotinhas de limão pra deixar mais azedinho.

O jeito de tomar seu chazinho de ervas é o que menos importa. O que conta mesmo é fazer desse instante um momento seu, ou a dois. Respire.

Claro que eu mantenho umas caixas de chá na despensa. Tenho lá minhas madrugadas insones e não conheço melhor companhia para uma leitura rápida do que um chá de hortelã, enquanto Morfeu não volta pra cuidar dos meus sonhos.

Preciso dizer que, ultimamente, minhas plantas têm que fazer um esforço folhoso extra? Haja bebida quentinha para reconfortar, com tanta coisa acontecendo.

Não está fácil pra ninguém, mas criar um pequeno ritual dá aquela forcinha pra gente manter a sanidade e recomeçar, seguir, fluir.

Enquanto escrevo essa crônica, a inspiração é instigada por um aroma suave e delicioso, que a fervura do chá de erva-cidreira, colhida no vaso do quintal, espalhou por toda a casa.

Aroma que atiça memórias. Goles mornos que aquecem meu corpo e acalentam meu coração com as boas lembranças do carinho e atenção de pessoas queridas.

Conta pra gente, qual é o seu ritual de recomposição 🙂

 

> Maria D’Arc Hoyer é jornalista (MTb nº 23.310) há 28 anos, pós-graduada em Comunicação Empresarial. Mora na região sudeste de São José dos Campos. É autora do blog recortesurbanos.com.br.