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Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

“Vivendo e aprendendo”, diz o ditado. Mas do jeito que estão evoluindo as coisas neste mundo, parece que nós só estamos vivendo, não estamos aprendendo nada. É o caso da baladinha que um grupo de norte-americanos foi fazer na madrugada de Caracas e voltou horas depois trazendo o casal Maduro.

Fala sério. Foi a “guerra” contra um homem só e sua esposa. Foram levados do seu quarto de dormir para um helicóptero, depois para um porta-aviões e, em seguida, desembarcaram no país dos inimigos, já com audiências na Justiça agendadas.

Mas e o resto? Não esquecerem de nada? Não esqueceram a Venezuela? E a ditadura venezuelana? E as Forças Armadas que sustentaram essa ditadura? E a vice-presidente, que jogava do lado do ditador Maduro e agora é a presidente? Lá na sua cela, já careca, de banho tomado e traje de prisioneiro, o brutamontes Nicolás deve ter se perguntado: “Só eu que sou culpado nessa história?”.

As perguntas têm razão de ser, concorde comigo. Afinal, enquanto Maduro está nos Estados Unidos agora, a sua ditadura continua inteirinha lá no seu país: os mesmos governantes, os mesmos militares, os mesmos paramilitares, a mesma Suprema Corte bundona…

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Também faltou identificar e atacar os tais narcotraficantes que levam drogas para os consumidores do país do tio Sam. Eles existem mesmo? Onde estão? Como operam? Estão fugindo das suas fortalezas cheias de drogas? Também não.

A situação é tão incompreensível que os venezuelanos se sentem ocupados e vencidos pelos norte-americanos sem que haja um soldado ianque sequer ocupando o país. A vitória foi no grito. “Pedi pra parar, parou!”, como se diz nos pagodes brasileiros.

Porém, se formos pensar bem, tem alguma coisa acontecendo entre EUA e Venezuela: um plano para tentar botar dinheiro grande no setor petrolífero do país com as maiores reservas do mundo. O presidente Donald Trump –que de pato não tem nada– está lá, ocupando a cadeira mais poderosa do planeta, rabiscando números e nomes de empresas para começarem o quanto antes a duríssima missão de fazer funcionar um parque de extração e refino de petróleo que está caindo aos pedaços há mais de 30 anos.

Resumindo a coisa toda, o que estamos vendo até agora é uma operação militar que capturou um casal –Maduro e a patroa– e está tratando de “business”. Enquanto isso, a ditadura, o comunismo, o narcoterrorismo, a população faminta, que entrem na fila. Pra que essa pressa toda? As prioridades do capitalismo vêm em primeiro lugar.

Wagner Matheus. Foto / SuperBairro

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 50 anos. É editor do SuperBairro. Mora na Vila Guaianazes há 24 anos.

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