Foto / Claudio Vieira/PMSJC

Wagner Matheus é jornalista (MTb nº 18.878) há 45 anos. Mora na Vila Guaianazes há 20 anos.

Transformação. É esta palavra que ronda meus pensamentos enquanto procuro um viés para falar do amor despertado por ela em todos que a conhecem. Pois é, a danada, muito inquieta é uma metamorfose ambulante e, como Raul Seixas diz na música, ela prefere ser assim.

Os mais resistentes às mudanças podem até sofrer por isso, mas de nada adianta. A gente dobra uma esquina e já não a reconhece. Vai dormir pensando que a domina e ao acordar percebe que ela é outra. Muda de cara com uma naturalidade espantosa e, na mudança, cresce, se agiganta.

Não tem o menor pudor em abraçar e convidar pra sua vida qualquer um que esteja de passagem. Para seduzir os desavisados não economiza em astúcia. Desfila sua beleza por ruas, avenidas e parques. Capricha na escolha de tons para o “make”, conforme a hora do dia, mas nunca lhe falta brilho.

Sabe fazer barulho, no auge da necessidade de produzir, mas é também calmaria quando o momento exige. Como assistir ao pôr do sol, por exemplo, em um palco feito para ele, fazendo a reflexão do aproveitamento do dia, enquanto se prepara para a noite, que, reza a lenda, não é das mais agitadas, mas dá pro gasto.

Passado o momento da conquista, ela não é fácil não. Exige muito de quem decide ficar. Cobra dedicação do aprimoramento pessoal e investimento pesado em relações humanas. Um gosto por tecnologia é bem-vindo para conviver melhor e crescer com ela.

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É preciso reconhecer, no entanto, que essa feiticeira também tem lá seus recantos cinzentos. Facetas que ainda aguardam lapidação e, encobertas na poeira das bordas desse território de sonhos, reclamam uma atenção que nem sempre chega a tempo ou na medida necessária.

Mas ninguém é perfeito. Viver é buscar melhorar continuamente e isso ela faz muito bem.

Em 255 anos de existência, sempre soube se adequar à ocasião. Quando a saúde exigiu, foi sanatório. A indústria chegou e encontrou as portas abertas e a vastidão dos campos para se instalar. Destemida, alçou voo em pequenos aviões, com a Embraer, enquanto aprendia a fazer os grandes jatos velozes.

Tanta atividade fez a família crescer, o que exigiu o desenvolvimento de serviços e comércios, que logo se tornaram protagonistas na região. Há cerca de 30 anos, uma antiga planta industrial se transformou no primeiro grande shopping center do Vale do Paraíba. Logo mais, as antigas instalações de outra fábrica se tornaram mais um centro de compras. Ambos ao lado da Via Dutra, convidando os passantes a se juntarem à festa e consolidando a mais nova vocação da capital do avião.

Sem descanso, desembocou no século 21 rendida à tecnologia, que deixou os centros de excelência e invadiu todos os aspectos da vida, conectando tudo e –quase– todos.

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Haja jogo de cintura para tanta mudança. Mas já está claro que mudar é um verbo que São José dos Campos conjuga como ninguém.

Sendo um dos municípios mais populosos do interior do país, com quase 800 mil habitantes, tem ares de capital, sem perder o sotaque caipira e o toque acolhedor. Se você discorda é porque ainda não a conheceu como se deve. Fica por aqui que vai acabar entendendo e se apaixonando.

Além disso, ela é estrategicamente localizada a uma hora da capital paulista, entre a serra e o mar… desculpe, não consegui resistir à piada interna, rs.

O espaço de uma crônica é muito pouco para falar dessa cidade inteligente, acolhedora e maravilhosa, mas fica aqui a homenagem. Fato é que, para quem fabrica automóveis, aviões e satélites, nem o céu é o limite. Parabéns, São José dos Campos.

 

> Maria D’Arc é jornalista (MTb nº 23.310) há 28 anos, pós-graduada em Comunicação Empresarial. Mora na região sudeste de São José dos Campos. É autora do blog recortesurbanos.com.br.

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